Entre o rio Cávado e o Ave a costa é arenosa e com formações rochosas pouco profundas. Existem, assim, condições que permitem o desenvolvimento das algas marinhas, as quais se desprendem sempre que o mar está revolto ou em período de marés vivas, predominantemente nos equinócios.

            Também constitui factor importante a pouca profundidade da costa que permite ao sargaceiro a recolha directa sobre os rochedos. Contudo a “mareada” é mais abundante após um período de maresia, porque o mar arroja à costa as algas que se desprenderam. É, assim, mais fácil ao sargaceiro a sua recolha e o seu transporte para o local onde ficam a secar durante dois a três dias. Mas a apanha do sargaço é, habitualmente, faina difícil e perigosa dado que é necessário enfrentar as ondas do mar por vezes muito encapeladas. Por isso cabe aos homens aquela tarefa e às mulheres o transporte para as “camas” de secagem.

            Depois de seco o sargaço é “empadelado” em pequenos montes – “padelos” – e transportado para as cabanas onde é empilhado e se mantém até à sua utilização nas culturas agrícolas.

            Dado o seu reconhecido valor como fertilizante natural, e a convicção cada vez maior dos perigos para a saúde pública inerentes ao uso de adubos químicos, a venda do sargaço tem sofrido nos últimos tempos, grande incremento. Presentemente o agricultor-sargaceiro comercializa parte das algas que apanha sobretudo o excedente das suas próprias culturas. Em 1950 uma “carrelada”, composta por cinco “padelos” vendia-se por 2$50 (dois escudos e cinquenta centavos); em 1993 ela vende-se por 6.000$00 (seis mil escudos).

            Noutros tempos esta faina estava limitada aos meses de Agosto, Setembro e Outubro, e não podia efectuar-se de noite. Posteriormente o período foi alargado, passando a ser permitido do nascer  ao pôr do sol, desde 1 de Maio a 31 de Dezembro, mediante licença passada pela Capitania de Esposende. Desde 1960 que esta situação foi totalmente alterada e a apanha é hoje livre e permitida a toda a gente, sem limite de tempo ou de espaço.

            Os meses de maior abundância de sargaço são Maio e Setembro por força das marés vivas dos equinócios.