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A
longa permanência dentro de água fria provoca, necessariamente, o
arrefecimento do corpo. Pensa-se que tenha sido esta a razão que levou o
sargaceiro a adoptar a fazenda de pura lã, na sua cor natural, para a confecção
da indumentária que usa na faina do mar.
Branqueta
é o nome que designa o casaco de abas compridas, até meio da coxa, cingido na
cinta e alargando para baixo, amplo como um saiote de modo a deixar inteiramente
livres os movimentos das pernas. É abotoado de alto a baixo por pequenos botões
do mesmo tecido, tem gola baixa, fechada, e mangas compridas, justas. A gola, os
punhos e as frentes são debruados com um pesponto grosso e largo, geralmente
duplo ou triplo, em forma de barra. Sobre o peito, à esquerda, é bordada a
inicial do nome do proprietário, ou alguma sigla convencionada que o
identifica. A branqueta é toda confeccionada à mão, com linha
resistente para suportar o embate das ondas.
Na
cabeça usa o sueste, espécie de capacete romano com copa de quatro
gomos reforçados e duas palas: uma, curta, na frente e outra mais larga e
comprida, atrás. Deste modo é-lhe possível “furar” as ondas sem que a água
escorra da cabeça para o pescoço e lhe penetre pelas costas. Feito da mesma
fazenda da branqueta, passa por diversas fases de impermeabilização e
é, por fim, pintado com tinta branca sendo-lhe aposto, a vermelho, dos lados o
nome de Apúlia e o ano da sua confecção.
A
textura da branqueta que, como já foi dito, é de pura lã, permite que
o sargaceiro permaneça várias horas molhado mas conservando a temperatura
normal do corpo enquanto se mantém em actividade.
A
mulher veste saia rodada, do mesmo tecido, cingida à cinta por larga faixa
preta, e blusa de linho. Um colete, sem mangas, e por vezes bordado a cores,
completa a sua indumentária. Na cabeça usa um lenço de merino.