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O
Sargaceiro não é um homem do mar, mas antes o agricultor que trabalha
dia-a-dia no amanho das suas terras. Mas, quando surge a “mareada” volta as
costas à terra e, então, é vê-lo correr praia fora, mar dentro, as pregas da
branquêta ondeadas pela marcha, lembrando o perfil de um soldado romano.
Enfia-se no mar, com água até à cintura, arrancando o sargaço, numa tarefa
árdua e perigosa que exige grande destreza de manejo e grande sangue frio para
enfrentar as vagas.
Homens
e mulheres, novos e velhos, vão amontoando e estendendo na areia o sargaço
arrebatado ao mar.
Aqui
e ali ouvem-se vozes que cantam:
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“Eu fui ao mar à
laranja,
Ó Luizinha
Que é fruta que o mar
não tem,
Ó Luizinha
Venho todo molhadinho,
Ó Luizinha
Das ondas que vão e vêm “Anda
agora, agora, Luizinha, agora. Teu
peito suspira, meu coração chora”.
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E
assim o sargaço, um composto de várias espécies de algas marinhas, depois de
seco, é utilizado pelo agricultor como principal fertilizante das suas
colheitas.
Em
tempos idos, enquanto esperavam que o sargaço desse à praia, o “assejo” a
gente nova cantava e dançava, com a alegria tão característica das gentes da
beira-mar:
“Se o mar tivesse varandas
como tem embarcações
ia-te ver ao Brasil
em certas ocasiões”