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O
sargaceiro veste “Branquêta” uma casaca comprida, até ao meio da coxa, de
pura lã, na sua cor natural, de gola baixa fechada, mangas compridas e justas,
cingida ao peito e ajustada na cinta por um largo cinturão de couro, alargando
para baixo em forma de saiote, a fim de permitir o livre movimento das pernas.
Abotoada na frente, de cima a baixo, com botões do próprio tecido, toda feita
à mão, é usada directamente sobre o corpo nu. A composição do tecido da
“branquêta” mantém o corpo do sargaceiro a uma temperatura tal que lhe
permite longa permanência dentro do mar.
Na
cabeça usa um chapéu, “O Sueste”, feito do mesmo tecido da “Branquêta”,
que depois é impermeabilizado e pintado. É composto de copa com quatro gomos
reforçados, uma pala curta na frente, e
outra mais larga atrás. A pala da frente permite ao sargaceiro perfurar as
ondas sem, no entanto, perder a visibilidade, enquanto que a pala de trás, mais
larga, lhe cobre e protege o pescoço.
A
mulher veste saia feita do mesmo tecido de lã da “Branquêta”, cingida na
cinta por uma faixa preta, blusa de linho caseiro, branqueada pelo sol, colete
bordado, cingido ao peito. Na cabeça põe um lenço de merino.
Nos
dias de festa a sargaceira enriquece o seu vestuário de trabalho pondo às
costas um xaile de merino à moda do Minho, e na cabeça um chapéu preto que,
na frente, leva uma pequena moldura com um espelho. Sempre que a sargaceira
namora ou está noiva o espelho é substituído pela fotografia do seu amado. O
traje do Homem mantém-se através dos tempos sem alteração e ainda hoje, nas
mareadas, se vêem , aqui e ali, sargaceiros vestidos de “Branquêta”, e de sueste
na cabeça. Na mulher, pelo contrário, foi-se perdendo a tradição, e apenas
se poderão ver algumas saias de “Branquêta”, e faixas pretas. Tal como
Pedro Homem de Melo dizia: Em Apúlia tudo é Verdadeiro... Até o Traje.