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A apanha do sargaço processa-se de duas formas: a pé, fora ou dentro de
água, até onde for possível penetrar no mar, e de bordo de embarcações.
No segundo caso utiliza-se o arrastão que é constituído
por um saco de rede de dois ou três metros de comprimento cuja abertura
é uma armação de ferro em forma de rectângulo por onde entra o sargaço que
se vais depositando no seu interior. Os homens lançam o arrastão segurando-o
no fundo do barco, e repetem a operação.
Este processo está hoje quase abandonado, até porque as “mareadas”
de pé proporcionam abundância de sargaço não sendo, por isso, necessário
recorrer a outras modalidades de apanha de algas. Na faina da praia, é usado o galhapão,
um saco de rede de fio grosso e malha larga (quatro a cinco centímetros),
normalmente com um metro e vinte centímetros de comprimento e preso a um arco
de meia volta, de loureiro, carvalho ou salgueiro, cujas pontas são ligadas por
um cordão. Este tem cerca de metro e meio e dista do meio do arco cerca de
sessenta centímetros. Um cabo forte, com cerca de três metros segura o galhapão,
a meio do arco.
É com este instrumento que o sargaceiro enfrenta as ondas do mar e vai
recolhendo as algas nelas envoltas.
Se o sargaço está mais denso e próximo da praia, e sobretudo se a maré
não for muito viva, é utilizada a graveta ou gaiteira,
instrumento com “dentes” e “costa” de cerca de noventa centímetros de
comprimento à qual se prendem, por baixo, vinte “dentes” de trinta centímetros
e, na horizontal, dez “dentes” de quinze centímetros. O cabo, preso a meio
da “costa”, tem cerca de dois metros.
Com a graveta o sargaceiro recolhe as algas que vai depositando no
areal, fora do alcance das vagas.
E é daqui que as mulheres, com as carrelas, fazem o transporte
para as “camas” onde o sargaço ficará a secar.
A carrela é uma espécie de padiola de madeira de pinho, com
cerca de metro e meio de comprido por sessenta centímetros de largo, cujas
“pernas” ou lados são ligados por paus redondos formando o lastro.
Para carregar o sargaço nas carrelas e ainda para o empadelar,
depois de seco, é utilizado o engaço, tipo de ancinho, todo em madeira,
com “costa” de cerca de setenta centímetros, dez “dentes” de vinte e
cinco centímetros e um cabo de um metro e quarenta centímetros.
Eram, ainda, usados a ganchorra, o carrelo, o rabichel,
a gancha e o gancho mas actualmente caíram em desuso e já só
existem como elementos de museu.
“A
Escola e seus ambientes”